
Um pulverizador de barras pode sair da oficina com aparência impecável e, mesmo assim, aplicar muito mais ou muito menos calda do que o agrônomo recomendou. Pontas gastas, manômetro descalibrado e velocidade diferente da prevista são as causas mais comuns. A calibração de pulverizador é o procedimento que coloca esses três fatores de volta sob controle, e pode ser feita com material simples: copo graduado, cronômetro, trena e algumas estacas.
O roteiro abaixo serve para a primeira checagem da safra e deve ser repetido sempre que houver troca de ponta, mudança de produto ou alteração no volume de calda desejado.
Calibrar um pulverizador com problema mecânico é perda de tempo. Antes das medições, confira:
Encha o tanque com água limpa até cerca da metade. A calibração é feita com água, na mesma pressão que será usada na aplicação.
Com a bomba na rotação de trabalho e a pressão definida, coloque um copo graduado sob cada bico e colete o líquido durante um minuto cronometrado. Anote o volume de cada ponta.
Depois, compare os valores:
Esse passo também revela desgaste desigual. Se só algumas pontas estão fora, troque essas; se a maioria está acima, é hora de substituir o jogo completo.
O velocímetro do trator nem sempre mostra a velocidade real, principalmente em solo solto, onde há patinagem. Por isso, meça no próprio talhão:
Se o trator percorreu 50 metros em 30 segundos, a velocidade é de 6 km/h.
Com vazão e velocidade medidas, o volume aplicado sai de uma conta simples:
Exemplo: pontas com 0,8 L/min, velocidade de 6 km/h e bicos a 0,5 m. O resultado é 0,8 × 600 ÷ (6 × 0,5) = 160 L/ha.
Se o volume ficou diferente do recomendado, há três caminhos: ajustar a pressão (mudança pequena de vazão), alterar a velocidade ou trocar a ponta por outra de vazão maior ou menor. Mudanças grandes de pressão alteram o tamanho das gotas e a deriva, por isso é melhor corrigir diferenças maiores pela ponta ou pela velocidade.
Guarde as anotações em uma ficha por pulverizador, com data, ponta usada, pressão, vazão média, velocidade e volume por hectare. Com isso, a próxima calibração fica mais rápida e é possível acompanhar o desgaste das pontas ao longo da safra.
Refaça a checagem sempre que:
Em pulverizadores com controlador eletrônico de vazão, a calibração continua necessária. O controlador corrige a dose conforme a velocidade, mas depende de sensores de fluxo e de velocidade bem calibrados e de pontas em bom estado.
Com que frequência devo calibrar o pulverizador? No mínimo no início de cada safra e sempre que houver troca de pontas, de produto ou de volume de calda. Em uso intenso, uma checagem de vazão das pontas ao longo da safra ajuda a detectar desgaste.
Posso calibrar em área de cascalho ou estrada? Não é o ideal. A velocidade deve ser medida em condição parecida com a da aplicação, no próprio talhão, porque a patinagem em solo solto reduz a velocidade real.
Controlador eletrônico dispensa a calibração manual? Não. Ele mantém a dose conforme a velocidade, mas só funciona bem se os sensores estiverem aferidos e as pontas estiverem uniformes. A checagem manual confirma se o sistema está correto.