
Em 23 de outubro de 1972, na fazenda Rhenânia, em Rolândia, norte do Paraná, o agricultor Herbert Bartz semeou uma lavoura sem arar nem gradear o solo. A plantadeira abriu o sulco diretamente sobre a palha da cultura anterior. Aquela área é lembrada como o marco inicial do plantio direto no Brasil, e a data passou a ser celebrada como Dia Nacional do Plantio Direto. A história do plantio direto começa com um problema muito concreto: a erosão.
No início dos anos 1970, o manejo padrão nas lavouras do Sul do país seguia a lógica europeia e norte-americana: arar, gradear e deixar o solo limpo e solto antes de semear. Em regiões de chuvas fortes, como o norte do Paraná, esse solo exposto era arrastado pela enxurrada. Voçorocas, sulcos profundos e perda da camada fértil eram cenas comuns.
Bartz viu parte de sua lavoura ser levada por uma chuva intensa no ano anterior e decidiu buscar outra forma de trabalhar. Procurou experiências no exterior com semeadura sem revolvimento e trouxe dos Estados Unidos uma plantadeira capaz de semear sobre a palha. A primeira lavoura em plantio direto foi instalada naquela primavera de 1972.
O começo foi difícil. Faltavam máquinas adaptadas às condições brasileiras, os herbicidas disponíveis para a dessecação eram limitados e havia pouca pesquisa local sobre o sistema. Nos anos seguintes, outros produtores do Paraná, especialmente na região dos Campos Gerais, aderiram à técnica e passaram a trocar experiências, com apoio crescente de pesquisadores e de instituições públicas.
Semear sobre a palha exigiu repensar a plantadeira. No preparo convencional, a máquina encontra solo solto e sem resíduos. No plantio direto, ela precisa cortar a palha, abrir um sulco em solo firme e colocar a semente na profundidade certa, com bom contato com a terra.
Isso levou a uma série de mudanças nos implementos:
A indústria nacional de máquinas desenvolveu ao longo das décadas seguintes plantadeiras específicas para o sistema, e o país ganhou tradição na fabricação de equipamentos para o sistema.
Com o plantio direto, a palha deixou de ser resíduo a eliminar e passou a ser parte do sistema. Ela protege o solo do impacto da chuva, reduz a erosão, conserva a umidade, diminui a amplitude de temperatura e alimenta a vida do solo à medida que se decompõe.
Essa mudança afetou também outras máquinas. As colhedoras passaram a ter picadores e espalhadores de palha mais eficientes, para distribuir o resíduo de forma uniforme por toda a largura de corte. A rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura ganharam importância para garantir palha em quantidade e qualidade suficientes.
Com o tempo, ficou claro que não bastava deixar de arar. O plantio direto funciona melhor como sistema, com três pilares: mínimo revolvimento do solo, cobertura permanente com palha e rotação de culturas. Quando um desses elementos falta, os benefícios diminuem e problemas como compactação superficial e aumento de plantas daninhas resistentes aparecem.
O sistema se espalhou pelo Sul, avançou para o Cerrado e se tornou dominante nas lavouras de grãos do país. Ele também foi decisivo para a expansão da segunda safra, já que eliminar o preparo do solo encurtou o tempo entre a colheita de uma cultura e o plantio da seguinte.
A lavoura de outubro de 1972 em Rolândia foi pequena perto da área que o sistema ocupa atualmente, mas mudou a forma como o Brasil semeia.
Quem introduziu o plantio direto no Brasil? O agricultor Herbert Bartz, que em 23 de outubro de 1972 semeou sem revolver o solo em sua fazenda em Rolândia, no norte do Paraná. Por isso a data é lembrada como Dia Nacional do Plantio Direto.
Por que o plantio direto exigiu novas plantadeiras? Porque a máquina precisa cortar a palha e abrir o sulco em solo firme, sem preparo. Isso levou ao uso de discos de corte, sulcadores específicos e maior pressão em cada linha.
Plantio direto é só não arar o solo? Não. O sistema completo combina mínimo revolvimento, cobertura permanente com palha e rotação de culturas. Sem esses três elementos, os benefícios para o solo diminuem.