Maqsan Agro

Amostragem de solo em grade: como planejar a coleta para a agricultura de precisão

Colheitadeira descarregando grãos em caminhão durante a colheita

A análise de solo tradicional parte de uma amostra composta que representa o talhão inteiro. O resultado é uma média: útil para decidir a adubação geral, mas incapaz de mostrar que um canto da área tem fósforo alto e outro está deficiente. A amostragem de solo em grade resolve isso ao dividir o talhão em células menores, cada uma com sua própria análise. É a base mais comum para os mapas de fertilidade que alimentam a aplicação em taxa variável.

O processo tem quatro etapas: planejar a grade, marcar os pontos, coletar e identificar as amostras e transformar os resultados em mapas.

01

Etapa 1: definir o tamanho da grade

O tamanho da célula é a decisão mais importante do planejamento, porque define ao mesmo tempo o custo e o detalhe do mapa final.

No Brasil, é comum trabalhar com células de um a alguns hectares, e a escolha depende de fatores como:

Uma alternativa à grade regular é a amostragem por zonas de manejo, em que o talhão é dividido com base em dados já existentes e cada zona recebe sua amostra. Muitos produtores começam pela grade e, com o histórico acumulado, passam para zonas.

02

Etapa 2: georreferenciar os pontos

Com o tamanho definido, a grade é desenhada sobre o contorno do talhão em um software de agricultura de precisão ou de geoprocessamento. O programa gera os pontos de coleta, normalmente no centro de cada célula, com suas coordenadas.

Esses pontos são carregados em um receptor GNSS, tablet ou celular com aplicativo de navegação. A equipe de campo usa o equipamento para chegar a cada ponto. A precisão de um receptor de navegação comum costuma ser suficiente para esse trabalho, já que a amostra representa uma área ao redor do ponto.

Antes de ir ao campo, confira se o contorno do talhão está correto e se os pontos não caíram sobre carreadores, curvas de nível, cupinzeiros ou áreas atípicas. Nesses casos, desloque o ponto para uma posição representativa.

03

Etapa 3: coletar e identificar as amostras

Em cada ponto, a amostra é composta por várias subamostras coletadas ao redor da coordenada, em um raio de alguns metros. Essa prática reduz o efeito de variações muito pontuais, como uma linha de adubação anterior.

Cuidados na coleta:

  1. Profundidade constante. A camada mais usada para fertilidade é a de 0 a 20 centímetros. Quando se quer avaliar a subsuperfície, coleta-se também a camada de 20 a 40 centímetros, em sacos separados.
  2. Ferramenta adequada. Trado manual, calador ou amostrador mecânico acoplado a quadriciclo ou caminhonete. O importante é que todas as subamostras tenham o mesmo volume e profundidade.
  3. Posição em relação à linha de plantio. Em áreas de plantio direto com adubação no sulco, a posição das subamostras influencia o resultado. Siga um padrão definido pelo técnico e mantenha-o em todos os pontos.
  4. Mistura e redução. As subamostras são misturadas em um balde limpo, e uma porção é separada para o saco.
  5. Identificação clara. Cada saco recebe o código do ponto, a profundidade e o talhão, escritos de forma que não se apague. Um erro de etiqueta pode inverter o mapa.

As amostras devem seguir ao laboratório o quanto antes, com a lista de pontos e coordenadas.

04

Etapa 4: dos resultados aos mapas

Com os laudos em mãos, os valores de cada ponto são inseridos no software, associados às coordenadas. Por interpolação, o programa estima os valores entre os pontos e gera mapas contínuos de cada atributo: pH, saturação por bases, fósforo, potássio, matéria orgânica, entre outros.

Esses mapas mostram onde o solo precisa de mais correção ou adubação e onde os níveis já estão adequados. A partir deles, o agrônomo aplica os critérios de recomendação e gera os mapas de prescrição de calcário, gesso, fósforo e potássio, que são carregados no terminal da máquina para a aplicação em taxa variável.

Repetir a amostragem a cada poucas safras, nos mesmos pontos, permite acompanhar a evolução da fertilidade e verificar se as aplicações surtiram o efeito esperado.

05

Dúvidas frequentes

Qual o tamanho ideal da grade de amostragem? Não há um tamanho único. Grades menores dão mais detalhe e custam mais; grades maiores são mais baratas e menos precisas. A escolha depende da variabilidade da área, do valor da cultura e das informações já disponíveis.

Preciso de GPS de alta precisão para coletar as amostras? Não. Um receptor de navegação comum ou um aplicativo de celular com GPS costuma ser suficiente, porque cada amostra representa uma área ao redor do ponto, e não um local exato.

De quanto em quanto tempo refazer a amostragem em grade? É comum repetir a cada poucas safras, nos mesmos pontos, para acompanhar a evolução da fertilidade. O intervalo exato deve ser definido pelo agrônomo conforme o sistema de produção.