
Grão de soja caído no chão é produção paga e não colhida. Semente, adubo, defensivo, combustível e horas de máquina foram gastos para produzir aquele grão, e ele fica na palha atrás da colhedora. O problema é que, a olho nu, dez grãos por metro quadrado parecem pouco. Só a medição mostra quanto as perdas na colheita de soja estão custando e de onde elas vêm.
O método descrito abaixo é simples, usa material barato e pode ser feito pelo próprio operador ou pelo técnico da fazenda em poucos minutos por talhão.
Sem balança, é possível contar os grãos e converter pela massa de mil grãos da cultivar, que o produtor encontra na análise de sementes ou pode medir pesando mil grãos colhidos.
Antes de a colhedora passar, escolha um ponto na lavoura ainda não colhida. Coloque a armação no chão entre as plantas e recolha todos os grãos soltos e vagens abertas caídas dentro dela. Isso é a perda natural, ou pré-colheita, causada por debulha espontânea, atraso na colheita, chuva ou acamamento.
Essa perda não tem relação com a máquina. Medi-la separadamente evita que o operador altere regulagens corretas tentando corrigir um problema que não é da colhedora.
Depois que a colhedora passa, coloque a armação na área colhida, logo atrás da máquina, cobrindo toda a largura do material que saiu dela. Recolha todos os grãos soltos, as vagens que ficaram inteiras nas plantas cortadas, as vagens caídas e as que permaneceram presas aos tocos abaixo da altura de corte.
A soma é a perda total. A perda causada pela colhedora é a diferença:
Repita em pelo menos três pontos por talhão e trabalhe com a média, porque a distribuição dos grãos no chão é irregular.
Com a massa dos grãos recolhidos em gramas e a área da armação em metros quadrados:
Se foram recolhidos 12 gramas em uma armação de 2 m², a perda é de 60 kg/ha, o equivalente a uma saca. Pela contagem, multiplique o número de grãos pela massa de mil grãos e divida por mil para obter os gramas.
Uma referência bastante usada na assistência técnica é considerar tolerável uma perda da máquina de até cerca de uma saca por hectare. Valores acima disso indicam que vale revisar a regulagem.
Para saber qual parte da colhedora está perdendo, observe o tipo de material recolhido.
Perdas na plataforma aparecem como vagens presas em tocos altos, vagens inteiras no chão e grãos debulhados pelo impacto do molinete. Revise:
Perdas nos mecanismos internos aparecem como grãos soltos e vagens mal trilhadas saindo pelo picador ou pelas peneiras. Revise:
Mude uma regulagem por vez e meça de novo. Alterar vários ajustes ao mesmo tempo impede saber qual deles resolveu o problema.
Quantas medições devo fazer por talhão? Pelo menos três pontos por talhão, e sempre que houver mudança de cultivar, de umidade dos grãos ou de condição da lavoura, como acamamento. Trabalhe com a média dos pontos.
Por que medir a perda natural separadamente? Porque ela não depende da colhedora. Sem separá-la, uma lavoura colhida com atraso pode parecer ter perda alta de máquina, e o operador acaba mexendo em regulagens que estavam corretas.
Qual regulagem costuma causar mais perda na plataforma? Altura de corte elevada e velocidade de avanço acima da capacidade da plataforma estão entre as causas mais comuns. A relação entre a velocidade do molinete e a velocidade da máquina também pesa bastante.