
O Dia Mundial da Alimentação, lembrado em 16 de outubro, marca a data de fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, criada em 16 de outubro de 1945. A cada ano, a data põe em pauta a fome, o acesso a comida e a sustentabilidade da produção. Na véspera dessa edição, vale olhar para um fator menos lembrado, mas decisivo: o papel das máquinas. A relação entre mecanização e produção de alimentos explica boa parte de como o Brasil passou a produzir muito mais sem crescer na mesma proporção em área.
O aumento da produção agrícola pode vir de dois caminhos: abrir novas áreas ou colher mais em cada hectare. No Brasil, a produtividade teve peso cada vez maior nas últimas décadas. Melhoramento genético, correção do solo, manejo de pragas e pesquisa agronômica são parte da explicação. A mecanização é outra.
Máquinas não fazem a planta produzir mais por conta própria. O que elas fazem é permitir que cada operação aconteça no momento certo, na dose certa e na escala necessária. Em agricultura, momento é produtividade.
Cada cultura tem uma janela de plantio, período em que as condições de clima favorecem o potencial produtivo. Plantar antes ou depois dela costuma significar menos grãos por hectare, maior risco de seca em fase crítica ou mais pressão de doenças.
Em áreas grandes, cumprir essa janela só é possível com capacidade operacional. Plantadeiras de maior largura, com mais linhas e dosadores precisos, tratores com potência adequada e, mais recentemente, piloto automático, que permite trabalhar por mais horas com qualidade constante, encurtaram o tempo necessário para semear uma fazenda inteira.
A combinação com o plantio direto reforçou esse efeito. Sem precisar arar e gradear, o produtor entra na área logo depois da chuva e da dessecação, sem esperar o preparo do solo. Isso ganhou dias preciosos no calendário.
Uma das maiores mudanças da agricultura brasileira foi a consolidação da segunda safra, com o milho e outras culturas semeadas logo depois da colheita da soja, no mesmo ano agrícola. Em muitas regiões do Centro-Oeste e do Sul, a mesma área passou a produzir duas lavouras de grãos por ano.
Esse sistema só funciona se a transição for rápida. A soja precisa ser colhida assim que atinge o ponto, e a segunda cultura precisa ser plantada em seguida, antes que o período de chuvas termine. Colhedoras de alta capacidade, logística de transporte bem organizada e plantadeiras prontas para entrar em seguida são o que viabiliza essa sequência. Cada dia de atraso na colheita da primeira safra reduz o potencial da segunda.
Outra contribuição da mecanização está na redução de perdas. Parte do alimento produzido nunca chega ao consumidor porque fica no campo ou se perde no transporte e na armazenagem.
Algumas frentes em que as máquinas ajudam:
A medição de perdas e a regulagem correta das máquinas são práticas simples que se refletem diretamente na quantidade de alimento que sai de cada hectare.
A mecanização também traz desafios. Máquinas cada vez mais pesadas aumentam o risco de compactação do solo. O custo de aquisição e manutenção pesa para pequenos e médios produtores, que muitas vezes dependem de cooperativas, de prestação de serviço ou de linhas de crédito específicas. E a operação de equipamentos com eletrônica embarcada exige mão de obra qualificada.
Na véspera de 16 de outubro, a reflexão sobre alimentação passa também por essas questões. Produzir mais alimento com menos área, menos perda e mais eficiência depende de máquinas bem escolhidas, bem reguladas e bem operadas.
Por que o Dia Mundial da Alimentação é em 16 de outubro? Porque a data marca a fundação da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, criada em 16 de outubro de 1945.
Como a mecanização aumenta a produção de alimentos? Principalmente ao permitir que plantio, tratos culturais e colheita aconteçam no momento certo e em grande escala, além de reduzir perdas na colheita. Isso eleva a produção por hectare e viabiliza mais de uma safra por ano na mesma área.
O que a segunda safra tem a ver com as máquinas? A segunda safra exige colher a primeira cultura e plantar a seguinte em poucos dias. Sem colhedoras e plantadeiras de alta capacidade, a janela de plantio da segunda cultura seria perdida em muitas áreas.